
Após três anos sem vencer, o Boi Garantido voltou a fazer história ao conquistar, nesta segunda-feira (30), o título do 58º Festival Folclórico de Parintins, encerrando a hegemonia do rival Boi Caprichoso, que buscava o tetracampeonato inédito. A vitória foi celebrada com emoção pela galera encarnada, que lotou as arquibancadas do Bumbódromo e acompanhou com fervor cada nota da apuração.
Com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, o Garantido apresentou um espetáculo que exaltou a cultura popular brasileira, unindo tradição, arte e identidade. O 33º título reafirma o protagonismo do bumbá vermelho e branco no cenário do folclore nacional.
Última noite consagra espetáculo vibrante do Garantido
Na terceira e decisiva noite (29/06), o Garantido encantou com o subtema “O boi é brinquedo, mas não é brincadeira”, trazendo à arena uma celebração das expressões culturais do Brasil, especialmente as ligadas aos bois folclóricos de diversas regiões. A apresentação também resgatou o simbolismo da personagem Catirina, ícone da luta e resistência no imaginário popular.
A performance reforçou o papel do boi como um elemento cultural que vai além da brincadeira: é arte, devoção e crítica social. O espetáculo foi marcado por momentos emocionantes, danças coreografadas com precisão e rituais que evocaram a ancestralidade indígena e a diversidade regional.
Rivalidade acirrada marca disputa histórica
O Caprichoso, que havia vencido as três últimas edições, foi à arena com o tema “É Tempo de Retomada”, homenageando figuras históricas da luta amazônica como Chico Mendes e Ailton Krenak. Apesar do impacto visual e das mensagens de resistência, o boi azul e branco não conseguiu superar a narrativa construída pelo rival encarnado.
Ambos os bumbás foram avaliados em 21 quesitos, divididos entre os blocos musical, cênico-coreográfico e artístico. Entre os itens avaliados estavam Toadas, Galera, Lenda Amazônica, Ritual Indígena, Rainha do Folclore e Cunhã-Poranga.
A vitória do Garantido foi recebida com gritos, lágrimas e emoção por seus torcedores, que viram o jejum — desde o último título em 2019 — finalmente chegar ao fim. “A gente veio com sangue nos olhos. O boi mostrou o coração do povo”, disse Carla Viegas, brincante e torcedora fervorosa.
Festival movimenta economia e reafirma cultura amazônica
Mais do que um evento folclórico, o Festival de Parintins é uma celebração da identidade amazônica e um impulsionador da economia local. Em 2025, a festa atraiu mais de 120 mil turistas, superando os números do ano anterior, e gerou um impacto econômico estimado em R$ 180 milhões.
O festival contou com reforço de estrutura, incluindo 196 voos extras da Azul Linhas Aéreas, o Turistódromo centro de acolhimento ao visitante e oito palcos alternativos com shows de artistas locais. O Ministério do Turismo destinou R$ 10 milhões em investimentos para garantir a grandiosidade do evento, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.
A cidade de Parintins se transformou, mais uma vez, em palco da maior expressão do folclore brasileiro, onde tradição e espetáculo se encontram para contar a história de um povo que resiste com arte.