Caso Benício: Polícia Civil promove acareação entre médica e técnica de enfermagem para esclarecer contradições

A Polícia Civil do Amazonas marcou para esta quinta-feira (4) uma acareação entre a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva. As duas participaram do atendimento ao menino Benício Xavier, de 6 anos, que morreu após uma crise aguda enquanto era tratado em um hospital particular de Manaus. A iniciativa surgiu depois que os investigadores identificaram divergências importantes nos depoimentos das profissionais.
O delegado Marcelo Martins, que conduz o inquérito, explicou que os relatos apresentados até agora apresentam pontos conflitantes, especialmente no que diz respeito à prescrição e à forma como a adrenalina foi administrada na criança.
“Há contradições em aspectos fundamentais. Quando duas testemunhas descrevem versões distintas sobre o mesmo fato, a acareação é o procedimento adequado para esclarecer o que realmente aconteceu”, afirmou o delegado.
O que diz cada profissional
A médica Juliana Brasil Santos, ouvida no fim de novembro, afirmou que houve um erro na prescrição da adrenalina. Ela apontou falhas no sistema eletrônico do hospital, alegando que a plataforma teria alterado automaticamente a via de administração do medicamento. Sua defesa reforça que o problema técnico contribuiu para o ocorrido.
Já a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva declarou que seguiu exatamente o que estava descrito na prescrição. Ela disse ter aplicado a adrenalina por via intravenosa e contou que chegou a explicar o procedimento à mãe do garoto. Raiza afirma ainda que, ao perceber a piora súbita do quadro clínico, chamou imediatamente a médica responsável.
Situação da investigação
O caso segue sendo investigado como homicídio doloso qualificado. Tanto a médica quanto a técnica foram afastadas de suas funções no Hospital Santa Júlia logo após o início das apurações. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) também instaurou um processo ético contra a médica, que corre em sigilo. A Justiça, por sua vez, rejeitou o pedido de prisão preventiva solicitado contra Juliana.
Entenda o caso
Benício deu entrada no hospital em 22 de novembro, com suspeita de laringite. A família relata que o menino recebeu adrenalina por via intravenosa e que, após a aplicação, seu estado piorou rapidamente, apresentando dores no peito, sinais de choque e uma sequência de seis paradas cardíacas. Ele morreu na madrugada do dia seguinte, 23 de novembro.
A Polícia Civil aguarda agora os resultados das perícias e a acareação entre as profissionais para esclarecer de forma definitiva o que levou à morte da criança e definir eventuais responsabilidades.




