Fila de barcos e tradição marcam fim do Festival de Parintins

Parintins (AM) – Com o encerramento do Festival Folclórico de Parintins, as águas do Rio Amazonas ganham uma nova dinâmica que, há anos, acompanha o fim da celebração dos bois-bumbás. A movimentação de retorno para Manaus transforma o rio em uma verdadeira “estrada aquática” congestionada, onde embarcações de todos os tamanhos cruzam uma das mais simbólicas rotas do Norte do país.
Mas é nas margens e curvas desse trajeto que surge uma cena tão tradicional quanto o próprio festival: dezenas de meninos das comunidades ribeirinhas, em pequenas canoas, se aproximam dos barcos que retornam da ilha, estendendo os braços e pedindo brindes aos passageiros.
“Joga uma camisa! Dá um presente!” – o pedido se repete em coro. Turistas, ainda embalados pela alegria das apresentações folclóricas, retribuem com camisetas, adereços, alimentos e até dinheiro, lançando os itens diretamente das embarcações. O que poderia parecer uma cena improvisada é, na verdade, um ritual consolidado de troca entre quem visita e quem vive às margens do maior rio do mundo.
A tradição, que mistura generosidade, expectativa e cultura local, representa uma oportunidade única para crianças e adolescentes das comunidades, que veem nessa temporada uma forma de adquirir objetos que raramente chegam a suas casas por outros meios.
Mais que um retorno à rotina, o pós-Parintins nas águas do Amazonas é um espetáculo à parte – um ciclo de despedida que fortalece os laços entre visitantes e moradores ribeirinhos, e que confirma que, mesmo depois da última toada no Bumbódromo, o espírito do festival continua navegando rio abaixo.




